segunda-feira, 23 de março de 2009

Vila Brandão será desapropriada pela prefeitura



Felipe Amorim | Redação CORREIO
(Notícia publicada na edição de 20/03/2009 do CORREIO)


A Vila Brandão, reduto de casas populares há mais de 60 anos espremida entre a Ladeira da Barra e a Baía de Todos os Santos, será desapropriada pela prefeitura.
A notícia foi confirmada ontem pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, Habitação e Meio Ambiente (Sedham). O decreto com a medida estava previsto para ser publicado hoje no Diário Oficial do Município.
A desapropriação engloba uma área de 17,7 mil metros quadrados do terreno pertencente à construtora portuguesa Imocon, a mesma responsável pela construção do Hotel Hilton, no Comércio.
Um outro decreto, publicado na quarta, também desapropriou uma área vizinha de 836,79m², contígua ao terreno do Yatch Clube, e que foi motivo de recente disputa judicial entre o clube e a construtora Marka, que possuía planos de erguer um apart-hotel no local.
“Os estudos técnicos vêm sendo feitos há algum tempo, mas a decisão foi tomada há 15 dias”, revela a assessora chefe da Sedham, Renilda Menezes. Na área a ser desapropriada, a prefeitura planeja realizar obras de reurbanização, com a construção de um mirante e um acesso facilitado à área.
Menezes também confirmou a intenção de desapropriar os imóveis da vila. Atualmente, o único acesso pavimentado à Vila Brandão é feito do Largo da Vitória, por meio de uma íngreme escadaria, ou uma ladeira.
Por lá, a reação foi de surpresa quando a reportagem chegou, na tarde de ontem, trazendo a notícia e o mapa da área que será desapropriada. “João Henrique não impediu que o Yatch Clube retirasse o parquinho das crianças da vila, e vai querer tirar a Vila Brandão daqui?”, indigna-se o vice-presidente da Associação de Moradores da Vila Brandão, o carpinteiro naval Roberval Ribeiro, 36 anos, 20 deles passados na vila, fazendo referência à polêmica disputa entre os moradores e o clube em 2007.
Pelas contas da associação de moradores, cerca de 350 famílias vivem em 200 casas, amontoadas na encosta da Ladeira da Barra. Em sua maioria, são pescadores, vigilantes, domésticas e outros profissionais cuja renda não alcança o IPTU e os altos aluguéis da vizinhança acima.
“As pessoas não estão dispostas a abrir mão da paz e da segurança daqui em troca de uma indenização. Aqui nem briga de vizinho tem. Esse projeto vai para a gaveta”, avisa a chefe de cozinha Ana Patrícia da Silva, 35 anos, presidente da Associação de Moradores, vivendo na Vila Brandão desde que tinha 10 anos.

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